DESCULPE O TRANSTORNO, PRECISO FALAR DA LAYLLA

“Conheci ela no treinamento de uma escola de inglês. Essa frase pode parecer um saco se você imaginar o professor ensinando o verbo ‘to be’ numa classe do terceiro colegial. Mas o treinamento em questão era uma nova experiência para ambas –onde todos tinham habilidades, menos nós duas. Ela ia se tornar professora. Minha mãe era professora. Eu não era professora, mas estava fazendo o treinamento para me tornar professora. A Laylla estava lá. Falando e rindo. Nunca vou me esquecer: ‘Nossa, ser canhota é difícil, né?’ ao preencher uma ficha na recepção, e logo  ‘Work, Study, Play’, do primeiro capítulo do livro Amaze 1 .

Quando os demais professores estavam sérios, ela ficava sorrindo. Quando eles terminavam no tempo determinado, ela se confundia e gargalhava. Quando eles se confundiam também, ela os encorajava. O sorriso, sempre grande e lindo, deixava claro que ela não fazia ideia do que estava fazendo. Foi amizade à primeira vista. Só pra mim, acho.

Passamos algumas madrugadas conversando e ela, como sempre, ouvindo meus choros e me mandava dormir (risos). De lá, migramos pro Whatsapp. Do Whatsapp, pro Facebook.

Começamos nossa amizade quando ela tinha 26 anos e eu 16, mas parecia que a vida começava ali. Fazíamos muitas piadas e tínhamos ataques de risada. De algumas, contávamos e ríamos várias vezes. Nos atrasamos em alguns compromissos porque a conversa tava boa. Escolhíamos decorações de casamento sem nem mesmo estar namorando ou se chegaríamos a nos casar. Fizemos uma dúzia de amigos novos e junto com eles, aniversários (alguns surpresa). Tiramos mais de 50 fotos só nós duas –perdi tudo, confesso. Sofremos com as exs de nossos namorados, rimos com tombos. Durante o treinamento, viajamos do Inglês 200h até o Shopping Interlagos dividindo o fone de ouvido para almoçar qualquer coisa. Das dez músicas cristãs que eu mais gosto, sete foi ela que me mostrou através de um CD. As outras três eu mostrei pra ela. Aprendi sobre a bíblia e também o que era ser extrovertida em público.

Um dia, deixamos de nos falar. E não foi fácil. Sem a outra saber, choramos mais que no final de ‘How I Met Your Mother’. Mais que no começo de ‘Up’. Até hoje, me pergunto como teria sido se nossa amizade nunca tivesse acabado. Em momentos de tristeza, felicidade e viagens eu me perguntava: cadê ela? Parece que, para sempre, ela vai fazer falta. Se ao menos tivéssemos deixado o orgulho de lado e ter pedido nossa amizade de volta, eu penso.

Há alguns meses, pela primeira vez, recebi uma mensagem dela –não foi por acaso uma grande amizade. Achei que fosse chorar tudo de novo. E o que me deu foi uma felicidade muito profunda de ter minha melhor amiga de volta. E de ter a oportunidade de demonstrar o meu carinho e amor de irmã por ela –e tantos outros sentimentos. Não falta nada.”

 

Gregorio Duvivier, adaptado por Thaíse Alves

Anúncios

2 comentários sobre “DESCULPE O TRANSTORNO, PRECISO FALAR DA LAYLLA

  1. Deus sabe mesmo o que faz né?!!!! Tudo tem hora certa, vcs amadureceram e a amizade tambem! Ter com quem contar nao tem preco. Fico feliz de te ver feliz!

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s